Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo estão incomodados com o último concurso organizado pela corte para selecionar novos juízes. Esse desconforto tem nome: Oreste Laspro. O advogado, um dos mais requisitados na área de recuperação judicial e falência, ganhou o noticiário porque contratou para sua consultoria um magistrado que atuava na área e, inclusive, o nomeou para administrar empresas falidas ou em reestabelecimento financeiro.
Laspro foi o representante da OAB São Paulo – nomeado pela gestão anterior (2019-2022) – no concurso 189 da magistratura paulista (encerrado em fevereiro). Desembargadores ouvidos pelo Bastidor afirmaram que essa participação, depois dos fatos noticiados, prejudica a imagem da seleção pública e da corte.
Disseram ainda que a contratação do Tiago Henriques Papaterra Limongi pode muito bem caracterizar a chamada porta giratória – que acontece quando agentes públicos deixam o cargo e usam dos contatos que angariaram no setor público para fins privados. “Isso é muito errado”, disse um desembargador sob condição de anonimato.
Limongi deixou o Judiciário em maio de 2021 e logo associou-se a Laspro. O ex-juiz, que tem seu nome em destaque no site da Laspro Consultoria, deixou nas mãos do administrador judicial pelo menos dois processos de recuperação judicial. Um envolvendo a Ricardo Eletro e outro a Coesa, que assumiu o passivo da OAS.
Mas essa não é a primeira vez que Laspro se envolve em polêmicas. Num passado recente, o advogado foi acusado de conflito de interesses por credores do Maksoud Plaza porque cuida da massa falida da empresa mesmo tendo representado fornecedores do hotel em ocasiões anteriores.

