Ney Bello é um dos mais cotados para estar na lista de proponentes ao STJ que será votada em 12 de maio pela corte. Não é para menos: o desembargador do TRF1 tem apoio entre ministros do Supremo e do STJ. É considerado o primeiro da fila há anos. Talvez por isso, tem feito tanta campanha que colegas brincam que ele disputa uma vaga a secretário-geral da ONU.

Embora tenha fortes chances, Bello segue enfrentando resistências entre aliados do presidente. Argumentam a Bolsonaro que ele é amigo do PT – lembrando constantemente que o julgador foi nomeado para o TRF1 por Dilma Rousseff – e de Flávio Dino (ambos são do Maranhão). Destacam artigo que Bello escreveu defendendo Dino e (de quebra) Dilma no caso das interceptações telefônicas divulgadas por Sergio Moro, em 2016.

No texto, publicado no site Vermelho.org, o desembargador afirmou que o agora ex-governador “não se abraçou ao fácil trair de suas próprias convicções e ao gosto do eleitorado” e “agiu como juiz, no momento em que alguns juízes agem como políticos [em referência a Moro]”. Disse ainda no texto que o ato de Moro quebrou “o ovo da serpente e de lá saíram racismos, sexismos, homofobismos, fascismos e outras intolerâncias”.

Esse tipo de discurso é veneno para os bolsonaristas. Alguns ignoram até decisões favoráveis dele ao governo e a seus apoiadores. Uma delas foi a que liberou carregamento de madeira ilegal apreendido no Amazonas. O advogado da causa era Frederick Wassef, que também representa os interesses de Jair Bolsonaro e da família presidencial.