Salvo uma improvável lambada política na sabatina do Senado, Flávio Dino voltará ao Supremo Tribunal Federal quase vinte anos após sua primeira passagem pela corte. Em 2004, Dino era juiz federal quando Nelson Jobim, então presidente do tribunal, convidou-o para ajudar na criação do Conselho Nacional de Justiça.

Dino era conhecido na magistratura por sua atuação corporativa. Presidira a Associação de Juízes Federais, a Ajufe. Tinha ambição e habituava-se rapidamente com as idiossincrasias de Brasília. Era uma criatura híbrida: um juiz que atuava cada vez mais em funções administrativas e de confiança, de natureza política.

Jobim, que transitara entre a política e a Justiça, em tempos nos quais as diferenças entre os dois mundos eram mais perceptíveis, reconheceu os atributos de Dino. Aconselhou-o a entrar na política. Era, disse Jobim ao juiz, a única maneira de, um dia, poder voltar à Suprema Corte – mas como ministro. Fora o caminho trilhado pelo próprio Jobim.

Dino já estava inclinado a abandonar a magistratura, mas, sem os conselhos de Jobim, talvez tivesse demorado mais a embarcar na vida partidária. E, não menos importante, talvez fracassasse – ele precisou esperar a perda gradual de poder da família Sarney para encontrar as oportunidades de avançar nos cargos que almejava. De deputado federal a presidente da Embratur no governo Dilma Rousseff; de governador do Maranhão a senador eleito pelo estado ano passado.

Os dois nunca esqueceram a experiência juntos. Hoje, Jobim é diretor de Relações Institucionais do BTG e integra o Conselho de Administração do banco de André Esteves. Nunca esteve tão bem. Dino, por sua vez, segue os passos do antigo chefe.