Cármen Lúcia assumiu oficialmente, nesta segunda-feira (3), a Presidência do Tribunal Superior Eleitoral. A ministra do Supremo Tribunal Federal não terá vida fácil dentro da corte. Fora dela, o cenário é o mesmo: a pressão do bolsonarismo na eleição municipal será tão intensa quanto em 2022.
A composição atual do TSE garante alguns votos para Cármen, mas não todos. Os colegas de Supremo, Kassio, eleito vice-presidente, e André Mendonça têm histórico de discordâncias com a ministra.
No STF, a pauta verde os colocou em lados opostos. Cármen, relatora de alguns processos sobre proteção ao meio ambiente, sofreu oposição da dupla indicada por Jair Bolsonaro. Os pedidos de vista, por exemplo, foram um dos pontos de atrito.
Até maio do ano que vem, o cenário para a gestão de Cármen será mais parecido com o do começo do mandato de seu antecessor, Alexandre de Moraes. Na ocasião, os ministros indicados na classe dos juristas apresentavam posições técnicas contrárias às do então presidente da corte. Maria Claudia Bucchianeri e Carlos Horbarch, por exemplo, apresentaram inúmeras divergências.
As opiniões dissonantes tiveram seu preço. Bucchianeri, por exemplo, não foi reconduzida. Foram escolhidos para o lugar da dupla Floriano de Azevedo Marques e André Ramos Tavares, alinhados a Moraes.

