A operação da Polícia Federal desta terça-feira (19), que prendeu um policial federal e quatro militares das Forças Especiais do Exército suspeitos de armar um plano para matar o então presidente eleito Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal em 2022, torna quase impossível ao ex-presidente Jair Bolsonaro manter seus planos de voltar à política.
As revelações feitas até agora e o que pode vir pela frente reduzem o projeto de Bolsonaro de ser anistiado pelo Congresso e ser candidato em 2026 à categoria de sonho pessoal.
A PF mostrou que o plano dos Punhal Verde e Amarelo corria em paralelo a outro plano de golpe de estado, o de um decreto que melaria as eleições, e era discutido por Bolsonaro com auxiliares. Um desses auxiliares, o coronel Mauro Cid, sabia do plano do Punhal. Ambos os planos passaram pelo Palácio do Planalto.
A leitura dos documentos da operação realizada nesta terça-feira (19) não permite cravar que Bolsonaro estava ciente que militares armavam assassinatos. Mas a PF ainda pode avançar nas investigações.
Mas a investigação da PF deixa claro que, sob Bolsonaro, maus militares sentiram-se seguros e apoiados o suficiente para ressuscitar esquemas clandestinos do período da ditadura militar (1964-85). Sentiram-se seguros para trabalhar por mais de um mês num projeto de eliminar adversários em prol de um golpe de estado para manter o presidente no poder.
O Congresso está cheio de políticos que aceitariam aprovar uma anistia e a volta de Bolsonaro, caso isso não significasse uma mudança no sistema de emendas parlamentares. Mas um homem-bomba bolsonarista ao lado do Congresso e a descoberta de que, com Bolsonaro no poder, militares se sentem seguros para tramar assassinatos de adversários, tornam esse pragmatismo mais complexo.

