A Procuradoria-Geral da República (PGR) usou uma pequena artimanha para evitar a anulação da denúncia apresentada na segunda-feira (22) contra a deputada Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Júnior. Os dois são suspeitos de invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP).
O processo está sob a relatoria de Moraes – que, em tese, também é vítima da fraude. Entretanto, a PGR colocou como vítima do ato tresloucado o CNJ, não o ministro. Desta forma, evita que a defesa eventualmente peça suspeição de Moraes – que pode se manter como relator do caso.
A fraude foi confessada por Delgatti em acordo de delação premiada. Ele deu detalhes sobre como conheceu a deputada bolsonarista, em setembro de 2022, e recebeu a tarefa de tentar demonstrar falhas no sistema das urnas eletrônicas. Ele afirma que conseguiu convencê-la de que era impossível sem ter cesso aos computadores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Sem poder criar um factoide, segundo Delgatti, Zambelli o incumbiu de invadir outros sistemas do Judiciário. Em depoimento, ele disse que invadiu sistemas do CNJ e conseguiu incluir o mandado contra Moraes, escrito pela própria deputada.
Zambelli nega as acusações. Delgatti reconheceu os crimes. Os dois foram notificados por Moraes, para que apresentem a defesa em até 15 dias. O ministro ainda quebrou o sigilo das investigações contra a deputada – todo material pode ser lido no site do STF.
Leia as íntegras da denúncia e do despacho de Moraes:

