Damares Alves passou os dias 10 e 11 de março na Guatemala, onde participou do Congresso Iberoamericano pela vida e pela família, evento religioso organizado por movimentos cristãos que se dizem pró-vida. É bem verdade que outros políticos conservadores – como o presidente do país, Alejandro Giammattei – participaram, mas a retórica religiosa do encontro é nítida, com direito a culto e participação de vários representantes de igrejas evangélicas.
O caráter religioso do encontro conservador foi destacado pela imprensa cristã. O portal latino Evangélico Digital, por exemplo, classifica o Congresso Iberoamericano pela vida e pela família como “a única entidade de origem evangélica com presença oficial nas assembleias da OEA”.

A chefe do Ministério da Família foi como autoridade brasileira à celebração religiosa com aval de Jair Bolsonaro para deixar o país até 19 de março. Após a ida à Guatemala, a ministra viajou aos EUA, para participar de reuniões na ONU, em Nova York. Junto a Damares estava Angela Gandra, secretária nacional da família.
A irmã do ministro do TST e sempre candidato ao STF Ives Gandra Filho (ambos filhos do jurista conservador Ives Gandra) reuniu-se na Guatemala com as organizações conservadoras Concerned Women for America (CWA) e Americans United for Life (AUL).
A CWA é uma entidade cristã dos EUA conhecida por sua cruzada contra o aborto. Já a AUL é um escritório de advocacia norte-americano que luta contra pesquisas com células-tronco embrionárias e métodos anticoncepcionais. O tema da primeira conversa foi descrito genericamente como discussão para “implementação da Declaração de Genebra”.
O assunto do segundo encontro foi registrado apenas como “reunião com Rocío Gómez”, associado sênior da Americans United for Life na América Latina e responsável pela publicação Defendendo o direito humano à vida na América Latina – que compila leis instituídas na região e consideradas pró-vida.

O Bastidor questionou o Ministério da Família sobre o que foi feito por Damares e quais os assuntos tratados por Angela na Guatemala. A pasta se limitou a enviar um link com um texto de três linhas que contém o seguinte detalhamento:
“Foram discutidas parcerias e trocas de experiências na área de defesa da equidade e demais políticas públicas para mulheres. A agenda internacional também contou com visita da titular do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos ao monumento ‘Guatemala, Luz das Nações’, no Palácio Nacional da Cultura.”

