Jair Bolsonaro finalmente escolheu o novo ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral. Venceu André Ramos Tavares, professor da USP que contou com o apoio de Ricardo Lewandowski para a vaga. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União no começo da madrugada desta quinta-feira (10).

A escolha reforça o respeito que Bolsonaro e seu governo tem pelo ministro do Supremo Tribunal Federal. Essa relação foi reforçada depois que Lewandowski ajudou na chegada de André Mendonça ao STF – e também antes disso, ajudando a dirimir resistências dentro da oposição ao nome indicado pelo atual presidente e ligado aos evangélicos.

Apesar de seus laços com a esquerda, Tavares foi a escolha menos complicada para Bolsonaro, porque os outros candidatos tinham problemas que incomodavam mais ainda o presidente. Fabrício Medeiros é próximo de Alexandre de Moraes e Vera Lúcia milita por direitos para minorias, coisa que Bolsonaro abomina.

A nomeação de Tavares também é uma resposta de Bolsonaro à guerra fria que travava com Moraes nos bastidores da burocracia. Enquanto o presidente não nomeava o novo ministro do TSE, Moraes não votava as listas de indicados para os TREs, afetando diretamente os interesses de inúmeros apoiadores do presidente, que vêem nas cortes eleitorais um meio de ganhar relevância.

Mas isso mudou em agosto, quando Moraes liberou as inúmeras listas paradas. Antes disso, fontes que participaram do processo de definição do novo ministro já tinham desistido de esperar uma decisão de Bolsonaro e já apostavam que o presidente sequer analisaria a lista.