Quarta-feira foi dia de festa no Tribunal Superior do Trabalho: tomou posse como novo presidente da corte o ministro Emmanoel Pereira. De tão relevante, o evento foi prestigiado por um dos maiores banqueiros do país. André Esteves, dono do BTG Pactual, esteve lá. Ele foi investigado na Lava Jato e é consultado por agentes públicos quando o assunto é finanças.

O banqueiro retomará o comando absoluto do BTG em abril, quando uma reunião do conselho de administração vai reorganizar a estrutura da instituição financeira. O retorno é mais uma etapa na reconstrução da imagem pública de Esteves, após ele ter sido preso por ordem dos ministros do Supremo durante a Lava Jato.

Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo, ainda é o presidente do Conselho de Administração do BTG. Também esteve na cerimônia no TSE. Ele e o banqueiro sentaram-se na ala VIP do evento.

O banco de Esteves é parte em 247 ações no TST. E o filho do presidente da corte trabalhista, Emmanoel Campelo, ex-presidente substituto da Anatel.

Na agência, Campelo relatou a aprovação da venda da Oi. O processo está sendo questionado e pode ser julgado novamente pela agência porque ele não poderia ter presidido a sessão de aprovação, em 31 de janeiro – o conselheiro Carlos Baigorri já havia sido nomeado por Jair Bolsonaro para ocupar o posto de suplente eventual.

O BTG Pactual comprou – juntamente com a Globenet – 57,9% do setor de fibra ótica da Oi, que será o novo foco da empresa com a venda da área de telefonia móvel para Claro, Tim e Vivo. O banco de Esteves investiu quase 13 bilhões de reais no negócio.

A aprovação da Anatel e do Cade para a operação de telefonia móvel era fundamental para que o plano de recuperação judicial da Oi prosseguisse sem novos sobressaltos. A valorização e preservação de ativos como a rede de fibra ótica dependia da venda recém-aprovada em Brasília.

Esteves foi procurado pelo Bastidor para comentar seu interesse na visita ao TST, mas sua assessoria de imprensa informou que ele não irá se manifestar.

Foto: Reprodução/Flickr/TST