Os sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático dos irmãos Ciro, Cid e Lúcio Gomes foram levantados hoje (15) pela Justiça Federal do Ceará, a pedido da Polícia Federal. Os três, que também foram alvo de busca e apreensão, são suspeitos, segundo a PF, de usar o governo cearense para achacar a empreiteira Galvão Engenharia em troca de propinas repassadas por meio de empresas de fachada.

Os Gomes são suspeitos dos crimes de lavagem de dinheiro, fraude em licitação e associação criminosa, além de corrupção ativa e passiva. Na decisão, o juiz Danilo Dias Vasconcelos de Almeida – substituto da 32ª Vara Federal – avalia que há evidências (e-mails e planilhas de contabilidade comparadas pela PF com desembolsos do governo) que corroboram a suspeita inicial acerca do pagamento de R$ 11 milhões em propinas. É a mesma opinião preliminar do procurador do caso.

O magistrado, porém, deixou de listar essas evidências em sua decisão. Também é mencionado na decisão que há provas obtidas via o acordo de leniência firmado pela Andrade Gutierrez – que participou de licitações em consórcio com a Galvão Engenharia e a Odebrecht – com o Cade em 2017. Mas nenhum trecho desse acordo é indicado pelo juiz federal.

Em delações usadas no processo, executivos da Galvão Engenharia afirmam que tiveram encontros com Ciro e Cid, mas sem quaisquer conversas sobre pagamentos de propinas – essas tratativas, afirmam os delatores, eram realizadas com Lúcio Gomes. Mesmo as negociações relatadas pelos empreiteiros com Lúcio Gomes não incluíam acertos corruptos. Se existem relatos de compromissos espúrios entre as duas partes, não estão na decisão.

Segundo a defesa dos Gomes, até agora não lhes foi liberado o acesso ao relatório da PF ou à manifestação do MPF no caso.