O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios apresentou denúncia à Justiça contra investigados na Operação Imprevidentes, que apura desvio de dinheiro no Instituto de Previdência do Distrito Federal (Iprev-DF). O processo foi aberto no dia 16 de março.

Apesar de a operação ter sido amplamente divulgada em fevereiro, o processo judicial foi posto em sigilo. Um dos investigados é o secretário de Planejamento, Orçamento e Administração do DF, Ney Ferraz.

Segundo o Ministério Público, gestores do Iprev-DF teriam beneficiado uma empresa de investimentos com sede em São Paulo, que representava fundos que atuam na área de previdência. Em troca, os servidores públicos receberiam propina pela ajuda.

As investigações mostraram que havia incompatibilidade entre o padrão de vida dos suspeitos e os salários que eles recebiam da autarquia. De acordo com a apuração, os fundos beneficiados pagavam contas pessoais dos diretores, além de fazerem pagamentos em espécie. À época das irregularidades, Ney Ferraz Júnior presidia o Iprev.

Os suspeitos devem responder por crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de bens, direitos e valores, cujas penas chegam a até 22 anos de prisão.

Ferraz Júnior é advogado, com registro na OAB do Piauí, mesmo estado do governador Ibaneis Rocha. Com a ascensão do conterrâneo ao Palácio do Buriti, o secretário, que é amigo pessoal do governador, também cresceu na vida política. Durante o primeiro mandato, comandou o Iprev, onde ficou até outubro de 2022. Depois, foi alçado ao posto de secretário.

A família do secretário também foi beneficiada durante a gestão de Ibaneis. A mulher de Ferraz Júnior, a psicóloga Emanuela Ferraz, assumiu diferentes cargos públicos no primeiro governo de Ibaneis. A advogada Diná Ferraz, irmã de Ney, é casada com o também advogado Willian Guimarães, que é sócio do escritório de advocacia do governador. Todos são do Piauí.

Esta não é a primeira vez que Ney Ferraz Júnior é envolvido em um caso de favorecimento a empresas. Em 2021, ele foi condenado por algo semelhante, pelo Tribunal de Contas da União, que o obrigou a pagar R$ 3.392,75. Apesar da decisão, ele não foi impedido de assumir novas funções públicas.

Procurado, o advogado de Ney Ferraz Júnior, Cléber Lopes, informou que ainda não foi citado sobre o processo movido contra o cliente. Ele também disse que não pode comentar o caso, já que o processo segue sob segredo de Justiça, apenas disse que o sigilo do caso não foi pedido por ele.

O governo do Distrito Federal informou que a apresentação da denúncia não deve alterar a situação do secretário no cargo.