A Advocacia-Geral da União (AGU) permanece em silêncio a respeito das decisões do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender os acordos de leniência da J&F e da Odebrecht. Somados, os dois acordos podem render mais de 18 bilhões de reais, dos quais boa parte devem ser destinados aos cofres do governo, seja diretamente ou por meio de autarquias.
O Bastidor encaminhou e-mails solicitando o posicionamento da AGU na manhã de sexta-feira (2), um dia depois da decisão de Toffoli sobre a Odebrecht. Não houve resposta do órgão, que é responsável por defender os interesses do Estado brasileiro.
O silêncio chama ainda mais a atenção quando se fala a respeito do acordo da J&F. Passado mais de um mês desde a decisão de Toffoli a favor da empresa, não houve qualquer manifestação pública da AGU a respeito do caso. A falta de assertividade contra a medida parece ser ainda maior do que a observada na PGR.
O atual AGU é Jorge Messias. O ministro foi citado na famosa ligação interceptada pela Lava Jato em que a então presidente, Dilma Rousseff, avisava a Lula sobre o termo de posse dele como ministro já estar pronto, faltando apenas a assinatura dele para ser empossado. A manobra de Dilma era uma medida para tentar evitar a prisão do petista e também melhorar a coordenação política do governo, que já estava às vésperas do impeachment. No entanto, como se sabe, não funcionou.
Enquanto isso, o gabinete de Toffoli segue recebendo pedidos de extensão dos benefícios concedidos às empresas e aos réus que já foram inocentados. Só nesta semana, foram dois: Léo Pinheiro (ex-presidente da OAS), João Augusto Rezende Henriques (lobista e operador do MDB) e Lúcio Funaro (delator e operador financeiro). Até agora, o ministro não se posicionou sobre nenhum desses.

