Em relatório enviado à Justiça, a Polícia Federal mostra como Breno Chaves Pinto, segundo suplente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, trabalhou em conluio com o diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) do Amapá para obter ilegalmente contratos para suas empresas, usou o nome do senador para pressionar por repasses do governo e fez saques de grandes quantias em dinheiro vivo depois de receber os pagamentos.
O suplente de Alcolumbre foi um dos alvos da operação Route 156, deflagrada na terça-feira (22), por conta de desvios de dinheiro público em contratos com o (Dnit) no Amapá. O senador Davi Alcolumbre não é investigado no caso.
De acordo com a Polícia Federal, em parceria com o superintendente do Dnit no estado, Marcelo Vieira Linhares, apontado como líder da organização criminosa, Chaves Pinto usava o nome de Alcolumbre em negócios com o governo.
“Breno apresentava-se como interlocutor capaz de influir em atos administrativos, a pretexto de sua proximidade com agente político federal, caracterizando, em tese, o crime de Tráfico de Influência. Ele cobrava contrapartidas e acompanhava os fluxos de empenho e pagamento de contratos em que suas empresas eram beneficiárias”, diz a decisão da Justiça que autorizou a operação, com base em relatório da PF.
A investigação cita conversas em que o chefe do Dnit local, Marcelo Linhares, pede a Chaves que fale com Alcolumbre e poste uma foto com o senador para “dar uma pressão no governo” com o intuito de liberar mais rápido verbas para o Dnit. Em uma conversa em outubro de 2023, de acordo com a PF, Marcello agradece a Breno pelo aumento de repasses do governo ao Dnit de 30 milhões para 58 milhões de reais – e atribui isso às “tratativas do nosso senador”.
Segundo a PF, Linhares e Chaves Pinto atuaram para que quatro contratos públicos firmados em 2024 do Dnit fossem dados às empresas Construtora e Reflorestadora Rio Pedreira, de Chaves Pinto, e LCM Construção e Comércio, de Luiz Otávio Fontes Junqueira — outro alvo da Route 156.
Somados, os quatro contratos fraudados, voltados à manutenção da rodovia BR-156 no Amapá, ultrapassam os R$ 60 milhões.
O direcionamento para as empresas envolvidas no esquema contava com a participação de outras empresas, que apresentavam propostas fictícias — em sua maioria, com ofertas sem desconto ou com preços acima do mercado — para simular competição.
Segundo a PF, outros três funcionários do Dnit no Amapá faziam parte do esquema: Denival Falcão da Hora Junior, pregoeiro que conduziu os contratos fraudados; Ruth Cléa Carmo de Sousa, que ajudava a blindar juridicamente os contratos; e Elenice Rodrigues Fernandes, que atuava como informante interna de Chaves Pinto.
A PF afirma que, após as empresas receberem pagamentos do governo em 2023 e 2024, Chaves Pinto fez saques fracionados de dinheiro vivo de ao menos R$ 3 milhões das contas de duas delas.
As retiradas costumavam ocorrer em datas próximas aos pagamentos feitos pelo Dnit. Do total, 1,9 milhão de reais saíram da conta do consórcio formado pelas empresas CR Almeida, Egesa e LB, administrado por Chaves Pinto, em seis saques. De acordo com a PF, a justificativa dada ao banco era “pagamento de funcionários na zona rural, o que é questionável”.
Um saque de 350 mil reais, feito em novembro de 2024, foi monitorado por agentes da Polícia Federal. De acordo com o relatório, Chaves Pinto chegou à agência do Banco do Brasil em Santana (AP) em um Jeep Compass branco, placa QLT-8D93 às 13:14h, com uma mochila azul. Saiu às 13:41h e foi para a sede da LB Construções, onde ficou até às 18:15h.
No relatório, a PF relata outro episódio de saque de dinheiro. Chaves Pinto telefona para a gerente de uma agência do banco Santander e pede “o maior valor que ela conseguir liberar”. Em um saque de 300 mil reais, feito em novembro de 2023, Chaves Pinto esqueceu de assinar os papéis do banco.
Outras três pessoas, além de Chaves Pinto, fizeram saques em espécie das contas das empresas. A PF afirma que um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf lista 37 comunicações de operações suspeitas das empresas administradas por ele.
Em nota divulgada pro sua assessoria, Alcolumbre afirma que “reitera seu respeito às instituições e entende que todos os envolvidos devem prestar os devidos esclarecimentos à Justiça, respeitado o devido processo legal”.
O Bastidor tenta contato com as defesas dos envolvidos.

