O ex-presidente Jair Bolsonaro assistiu presencialmente à sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que examinou a denúncia da Procuradora-Geral da República contra ele e mais sete suspeitos de executar um plano de golpe de estado, nesta terça-feira (25).

Bolsonaro sabe que sua presença teve efeito zero como forma de pressão sobre os ministros do Supremo. Sabe também que o que fez não aumenta em nada suas chances no julgamento à frente. O que Bolsonaro fez foi usar o campo jurídico para fazer um gesto político, demonstrar força e liderança num momento adverso.

Depois do fiasco do ato em Copacabana, há duas semanas, assistir ao julgamento em casa seria para Bolsonaro uma opção pelo ostracismo e uma demonstração de fraqueza, quase uma confissão de que não confia mais na salvação.

 Ter ido ao Supremo ajuda Bolsonaro a sustentar os argumentos de que não fez nada de errado, que não tentou dar um golpe de estado e que é um perseguido político. Sinaliza que ele continua firme no propósito de ser candidato em 2026, o que desincentiva argumentos em favor do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e atrapalha iniciativas como a do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que lançará sua pré-candidatura na semana que vem.

Com pouquíssimas chances na área judicial, resta a Bolsonaro operar na política, onde ainda tem apoio e imagina ainda ter algum terreno.