Em depoimento à Polícia Federal, um agente afirmou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) hackeou autoridades do Paraguai. Segundo ele, a ação foi planejada durante o governo Bolsonaro e executada sob o governo Lula. O caso foi revelado pelo Uol.
No depoimento, o agente disse que a ação transcorreu durante as negociações entre Brasil e Paraguai em torno do reajuste no preço da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. O objetivo era obter informações sensíveis das autoridades paraguaias. Segundo o agente, foram obtidos dados de “cinco ou seis autoridades” paraguaias.
O agente também afirmou que a operação foi autorizada por Victor Carneiro, diretor da Abin no fim da gestão de Jair Bolsonaro. Segundo ele, o atual chefe da agência, Luiz Fernando Correa, manteve a ordem para que as ações fossem executadas.
O governo Lula diz que não teve qualquer participação na ação de inteligência. Segundo o Palácio do Planalto, a ordem de Carneiro foi tornada sem efeito em março de 2023. O governo diz que Correa tomou posse no fim de maio de 2023, depois de os agentes terem sido desautorizados a dar andamento às ações.
O agente depôs num inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) e que investiga suspeita de uso da Abin pelo governo Bolsonaro para constranger e atacar adversários nas eleições de 2022. O caso corre sob sigilo.

