O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, negou o pedido de revogação da prisão do empresário Diego Cavalcante Gomes, detido pela Polícia Federal durante operação que investiga a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça.
Mantida sob sigilo, a decisão foi proferida na terça-feira (3). O Bastidor obteve o despacho. Zanin também negou à defesa o acesso integral aos autos, sob a justificativa que as investigações ainda estão em curso.
Diego Cavalcante foi preso por obstrução de Justiça após, segundo a PF, arremessar seu celular pela janela durante uma operação de busca e apreensão.
Como mostrou o Bastidor, inicialmente o empresário era visto como uma espécie de laranja do lobista Andreson Gonçalves, o principal operador do esquema. Diego recebeu 5 milhões de reais da empresa Florais Transportes, que pertence a Andreson.
A atuação de Diego, contudo, ia além, segundo fontes que acompanham as investigações. Ele frequentava a sede do STJ. Sua parceria com Andreson envolvia o círculo de relações que ambos mantinham com assessores. Diego acionava Andreson para que facilitasse o contato com algum alvo no tribunal. O inverso também ocorria.
No despacho, Zanin diz que a decisão de manter a prisão preventiva de Diego não impede uma reavaliação do caso. A defesa argumenta que Diego não tentou se livrar do celular no dia da operação, pois o aparelho estaria em uma loja de manutenção.
Uma conversa da reportagem do Bastidor com o empresário em 13 de maio, dia da operação da PF, contudo, contradiz ao menos parte do que diz a defesa. O diálogo ocorreu das 19h23 às 19h40 e contou com mensagens no Whatsapp e uma ligação feita pelo mesmo aplicativo.
A defesa não cita um segundo aparelho que o empresário poderia estar usando. Horas após a busca e apreensão, Diego não só estava com um telefone, como respondeu a mensagens e atendeu a uma ligação.
O Bastidor também recebeu um print com a última visualização de Diego no Whatsapp: foi naquela noite de 13 de maio, às 23h51.


