Os militares são parte indissociável da tentativa de golpe de estado de Jair Bolsonaro. Foram o apoio para Bolsonaro incutir medo em outros Poderes, serviram de instrumento para ele questionar as urnas eletrônicas, intimidar a Justiça Eleitoral e, no final, sua falta de apoio foi fundamental para o golpe murchar. A denúncia da Procuradoria-Geral da República deixa claro como os fardados foram essenciais a Bolsonaro.
Coube aos generais general Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, Augusto Heleno e Mário Fernandes o planejamento de estratégias de disseminação de notícias falsas, a articulação com militares de patente mais baixa e a organização dos planos que, segundo as investigações, incluíam neutralizar o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice, Geraldo Alckmin.
Além deles, outros militares de menor patente também são peças-chave na compreensão do material apresentado pelo procurador-geral, Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Braga Netto articulou, entre outras coisas, as conversas com os kids pretos, militares das Forças Especiais que elaboraram um plano para eliminar o ministro Alexandre de Moraes e, em última instância, o presidente eleito Lula e o vice, Geraldo Alckmin.
Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o general Augusto Heleno atuou diretamente para garantir que a Agência Brasileira de Inteligência investigasse e intimidasse adversários políticos.
O então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, atuou como articulador político entre os militares. Coube a ele a tentativa de convencimento de outros generais e comandantes das forças a aderir à tentativa golpista, de acordo com Gonet. Também foi responsável por coordenar a produção de um relatório do Exército que deveria ter colocado em dúvida o processo eleitoral e a lisura do resultado de 2022.
O general Mário Fernandes era o segundo nome mais importante da Secretaria-Geral da Presidência da República. Segundo as investigações, foi o responsável pela elaboração do plano golpista. Com ele, foi encontrada a cópia de um documento que indicava a possibilidade de assassinato e Lula, Alckmin e Moraes, bem como o inventário de materiais bélicos que seriam usados na tentativa de golpe.
Fernandes também é apontado como um dos articuladores entre as estratégias do Palácio do Planalto e o acampamento golpista instalado em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília.
Outros militares de alto escalão citados são o general Estevam Teophilo Gaspar de Oliveira, comandante do Comando de Operações Terrestres (Coter) do Exército. A investigação mostra que ele se reuniu com Bolsonaro e com o grupo de militares golpistas e ofereceu tropas para atuar nas ruas.
De acordo com o tenente-coronel Mauro Cid, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, foi o único chefe das Forças Armadas realmente disposto a apoiar as intenções golpistas de Bolsonaro e do entorno deles.
O fato de Garnier ser o único foi a razão para o golpe não ser consumado. Quando os comandantes do Exército e da Aeronáutica se recusaram a participar, Bolsonaro recuou. A investigação mostra que o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, chegou a ameaçar prender Jair Bolsonaro. O projeto de golpe, que começou apoiado nos militares, acabou quando parte dos comandantes tirou o apoio a Bolsonaro.

