Na 5ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada nesta terça-feira (13), a Polícia Federal mirou laranjas no esquema de comércio de sentenças em tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça.
A PF avançou nas últimas semanas na teia de relações bancárias e fiscais que dão sustentação ao esquema. Já está claro para os investigadores que a venda de sentenças utilizou uma robusta estrutura de lavagem de dinheiro. Trata-se de um núcleo operacional que, provavelmente, cometeu crimes em outros esquemas.
Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Mato Grosso. A operação foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Ele determinou o sequestro de bens e valores dos investigados que somam 20 milhões de reais.
Alguns dos alvos são parceiros e laranjas de Andreson de Oliveira Gonçalves e da esposa dele, Mirian Ribeiro Rodrigues. Andreson, que está preso, é tratado como o principal personagem do esquema.
Um dos laranjas que foi alvo em Brasília é o empresário Diego Cavalcante Gomes. Ele, segundo a PF, recebeu 5 milhões de reais da empresa Florais Transportes, que pertence a Andreson. Diego tem empresas de construção, lavanderia, consultoria empresarial e comércio de alimentos.
Dos 5 milhões de reais recebidos em sua conta, Diego chegou a sacar 1 milhão de reais, segundo a PF. Boa parte do valor recebido teria sido devolvida a Andreson, o que reforça a suspeita de que Diego era laranja. As investigações apontam que a Florais Transportes foi usada por Andreson para pagar propina no Judiciário.
Com o avançar das apurações no núcleo financeiro, a PF abre novas frentes de investigação e de conexões com outros esquemas que envolvem lavagem de dinheiro, sobretudo em Brasília.
A opção da PF em ir atrás de laranjas, considerados de papel menor na estrutura da organização criminosa, abre margem para os investigadores obterem informações acerca dos superiores no esquema. Uma vez pilhados, laranjas – se forem, de fato, somente laranjas – têm incentivos para colaborar com a polícia. Eles são uma etapa até quem pagou pelas decisões e também a quem as vendeu.
Nessa fase, a PF mirou nos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, mercado de câmbio clandestino, evasão de divisas e organização criminosa.
De acordo com a corporação, foi identificada uma “rede financeira-empresarial de lavagem de dinheiro, criada para dissimular a origem ilícita das supostas propinas”.
Os nomes dos alvos são mantidos sob sigilo. Sabe-se, contudo, que o advogado e ex-presidente da OAB do Mato Grosso Ussiel Tavares também foi alvo no estado.

