O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou uma assessoria de investimentos credenciada à XP a pagar 150 mil reais a um cliente que diz ter sido enganado e incentivado a fazer operações financeiras que fugiam do seu perfil. O caso foi revelado pelo Bastidor em setembro.
O cliente, um idoso de 70 anos, aplicou 1 milhão de reais na Messem Investimentos. Investiu 200 mil reais no produto “XP COE Financiado – Ouro: Dobro ou Alta Limitada 3” e, paralelamente, tomou 800 mil reais de empréstimo junto à XP.
A dívida ultrapassou os 100 mil reais somente em juros – o que, segundo a defesa, contrariava o discurso do assessor financeiro e da Messem de que a operação não teria risco.
O desembargador Sá Duarte, relator da apelação da Messem contra a indenização, considerou que o agente financeiro da empresa tinha conhecimento de que era importante para o cliente que o investimento fosse seguro e de baixo risco.
Acrescentou que a Messem não conseguiu demonstrar que a operação com COE (Certificado de Operações Estruturas) e CDC (Crédito Direto ao Consumidor) celebrado com a XP fosse pertinente ou lucrativa para o cliente.
Caso não é único
Como mostra o Bastidor desde agosto, associados da XP e regularizados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) convencem clientes a apostar em investimentos de alto risco sem a devida explicação das chances de perdas substanciais.
Em um dos episódios, a XP foi acusada de coagir um funcionário a pressionar o próprio pai para contratar um empréstimo considerado de risco. Em tese, a conclusão do negócio ajudaria o filho a consolidar sua carreira na corretora de valores.
Em outro, o proprietário de uma empresa de investimentos no interior de São Paulo acusa judicialmente a XP e um dos seus assessores de recomendarem aplicações de “altíssimo risco” que resultaram em “graves prejuízos”.

