Depois de ser derrotado na semana passada ao votar a PEC dos Precatórios, Arthur Lira conseguiu virar o jogo ontem (3) e aprovou o texto em primeiro turno, com 312 votos. O placar apertado – PECs precisam de, no mínimo, 308 votos em dois turnos na Câmara para serem aprovadas – mantém a esperança dos opositores de que a repercussão negativa da medida ajudará a derrubar a proposta na votação da próxima semana.

Essa aposta recai principalmente sobre PDT e PSB, que abandonaram parcialmente a oposição ontem (3) e votaram com o governo, mas também abrange outras siglas, como o MDB. A PEC dos Precatórios permite o calote nas dívidas impostas pela Justiça à União e nos repasses ao Fundeb enquanto abre espaço no orçamento para emendas de relator.

Um experiente deputado contrário à proposta disse ao Bastidor que o “governo prefere prejudicar todo mundo” ao invés de tirar dinheiro “das emendas de relator e do Fundo Partidário”. “A PEC é ruim em todos os sentidos, principalmente ao furar o teto. Pergunto onde está o Mercado, que vive pedindo segurança jurídica e previsibilidade”, criticou esse mesmo parlamentar.

A “mão invisível” já precificou o calote – tanto que as previsões do PIB deste ano já foram revisadas para baixo – e preferiu um calote parcial a um novo Estado de Calamidade.

Mas contar com a mídia nessa batalha será um jogo perigoso. Lira calculou bem o movimento e incluiu no texto espaço para manter a desoneração da folha de pagamento em 2022 – o que alivia também a pressão de parte do setor produtivo.

Há ainda o interesse dos prefeitos, que são a base eleitoral necessária para deputados se reelegerem no ano que vem – Lira também abriu espaço nos R$ 91,6 bilhões para parcelar dívidas de prefeituras.

E, por fim, há emendas de relator, que são a melhor moeda de troca da gestão Jair Bolsonaro. Tanto que traições na oposição são explicadas por esse apetite financeiro.

Um cientista político com anos de experiência em Brasília afirmou que partidos como PDT, PSB e Podemos não ajudam todos os candidatos nas eleições, o que abre flancos para defecções. Com isso, a aprovação da PEC depende exclusivamente da habilidade do governo em liberar emendas até terça-feira (9), data prevista para a votação em segundo turno.