A Polícia Federal (PF) concluiu o relatório final da investigação sobre uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo fontes a par da investigação, no documento de mais 800 páginas entregue ao Supremo Tribunal Federal na quarta-feira (11), a PF pede o indiciamento da atual cúpula da agência, inclusive do diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, e do chefe de gabinete, Luiz Carlos Nóbrega. O caso segue sob sigilo.

A investigação começou em 2023, após a descoberta de que agência espionou políticos, jornalistas e outras autoridades a partir do FirstMille, programa espião capaz de identificar a localização de pessoas por meio de celulares.

A descoberta provocou mudanças na Abin. Desde início do caso, a gestão da agência optou por restringir acesso aos softwares tecnológicos, recolher computadores e, além disso, ordenar a devolução de armas de alguns agentes.

O inquérito examinou suspeitas de atuações ilegais de um grupo da Abin, comandado pelo então diretor Alexandre Ramagem, durante o governo Bolsonaro, que ficou conhecido como “Abin paralela”.

Entretanto, no decorrer das investigações, a PF identificou possível tentativa de obstrução do inquérito por parte da direção da Abin já sob o governo Lula (PT), como revelado no último relatório parcial.

“A preocupação de ‘exposição de documento’ para segurança das operações de ‘inteligência’, em verdade, é o temor da progressão das investigações com a exposição das verdadeiras ações praticadas na estrutura paralela, anteriormente, existente na Abin”, diz um trecho de um relatório já publicado.

O delegado Alessandro Moretti, ex-número 2, foi demitido em meio às suspeitas de tentativa de embaraçamento das investigações. Toda cúpula da Abin foi chamada para depor no inquérito sob a mesma suspeita.

Ao todo, a PF deflagrou cinco fases da operação chamada Última Milha, que teve como alvo Alexandre Ramagem, e duas fases da operação chamada de Vigilância Aproximada, que mirou o vereador Carlos Bolsonaro e assessores.