A posse de Augusto Aras para seu segundo mandato à frente da PGR foi feita de supetão em 23 de setembro. A cerimônia simples – com parte dos convidados à distância, inclusive Jair Bolsonaro – foi pensada para evitar um clima de desconforto entre o presidente da República e ministros do STF que participariam do evento.
Mas a tentativa não surtiu todo o efeito esperado, pois o desconforto dos presentes era perceptível mesmo pela transmissão da TV Brasil – apenas Aras falou; somente parentes e alguns integrantes do MP foram chamados; Bolsonaro participou digitalmente, de seu gabinete, com a expressão de quem acabou de chupar um jiló; e Ciro Nogueira olhava para os lados, como quem espera uma consulta médica.
Duas semanas antes da posse de Aras, Bolsonaro expunha o ápice do seu discurso golpista nos atos de 7 de setembro. Com foco no STF e no TSE, mentiu ao dizer que convocaria o Conselho da República – grupo que opina sobre Estado de Sítio – e que as eleições no Brasil foram fraudadas, inclusive no pleito que o elegeu.
Luiz Fux, então, afirmou que houve crime de responsabilidade por afronta à independência do Judiciário e mandou Jair Bolsonaro ir trabalhar. Também colocou o capitão reformado no rol dos “falsos profetas do patriotismo” que propagam “narrativas falsas e messiânicas” e adotam “praticas intoleráveis” para incentivar “a política do caos”.
Bolsonaro então capitulou, pediu ajuda a Michel Temer e culpou o “calor do momento”. Mesmo assim, os ânimos continuaram acirrados – até Arthur Lira mapeou o sentimento sobre impeachment.

