O clima no Tribunal de Justiça da Bahia é o pior possível. Desembargadores da corte já esperam nova visita da Polícia Federal; alguns não descartam prisões. A Justiça da Bahia foi alvo, na terça-feira (9), de operação de busca e apreensão relacionada à operação Faroeste. A investigação mira esquema de venda de decisões no estado.
Apenas dois alvos são conhecidos: Ailton Barbosa de Assis Júnior e Rui Barata Filho, ambos advogados. Assis Júnior integrou a lista tríplice votada pela OAB da Bahia em 2019 para o Tribunal Regional Eleitoral do estado.
Barata foi juiz eleitoral de 2017 a 2019 e chegou a ser ouvidor do TRE baiano. No cargo, recebeu a medalha do mérito eleitoral da Bahia com palma, concedida aos que contribuem “destacadamente para o engrandecimento, eficiência e respeitabilidade da Justiça Eleitoral”.
Barata é filho da desembargadora do TJBA Lígia Maria Ramos Cunha. Foi denunciado em 2021 pelo MPF junto com sua mãe e seu irmão, Arthur, na operação Faroeste. O trio é acusado de receber 950 mil reais pela venda de diversas decisões proferidas pela magistrada.
CNJ no jogo
O Conselho Nacional de Justiça determinou uma nova correição extraordinária no TJBA, a segunda em três meses. A primeira foi feita em abril. Ambas foram autorizadas pelo ministro Luis Felipe Salomão, corregedor nacional de Justiça e ministro do Superior Tribunal de Justiça, corte responsável por julgar a Faroeste.
Ao autorizar a segunda correição, Salomão afirmou ter sido constatada ineficiência grave na gestão administrativa e jurisdicional. A medida vem depois de a presidente do TJBA, Cynthia Maria Pina, ter dito ao corregedor que resolveria os problemas da corte.
A promessa da havia sido feita pela desembargadora para evitar uma intervenção – medida mais gravosa. Pina se reuniu com Salomão na Bahia e em Brasília para tentar acalmar os ânimos. Não adiantou.
A marcação serrada do CNJ e a operação da PF foram antecipadas pelo Bastidor em 13 de junho.
Leia o que o Bastidor já publicou sobre as investigações no TJ da Bahia:
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