A ex-procuradora-geral da República Raquel Dodge e o vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand são tidos como os favoritos na lista sêxtupla de integrantes do Ministério Público que disputam uma vaga no Superior Tribunal de Justiça. O escolhido vai substituir a ministra Laurita Vaz, que se aposentou em outubro.

A vaga em questão é da cota do Ministério Público. O caminho ainda é longo: o STJ receberá a lista com nomes de integrantes do MPF e dos Ministérios Públicos estaduais até 15 de março. Escolherá três deles e encaminhará a lista menor ao presidente, que fará a escolha, sem data marcada.

Conta a favor de Hindemburgo a relação de extrema confiança que mantém com o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a proximidade com o grupo do ex-PGR Augusto Aras. Essa multiplicidade de apoiadores, segundos fontes do MPF, será um diferencial na disputa dentro do órgão e também no STJ.

Raquel Dodge foi procuradora-geral no governo Michel Temer. Ela tenta arregimentar apoios de grupos que fizeram oposição à gestão Aras. Ela e o ex-PGR não se dão bem, e a situação piorou desde que ele a substituiu no governo Bolsonaro. A dupla já protagonizou saias justas em sessões do Conselho Nacional do Ministério Público e outros encontros públicos.

Dodge tem também a seu favor a experiência do “beija-mão” necessário para esses cargos, porque já cruzou via parecida quando foi escolhida por Temer – presidente que depois denunciou por corrupção ao Supremo Tribunal Federal.

Integrantes da PGR afirmam que Carlos Frederico Santos é outro que deve estar entre os seis escolhidos. O subprocurador-geral ganhou pontos com o governo ao cuidar dos casos dos golpistas do 8 de janeiro.

Essas mesmas fontes dizem ainda que as outras três vagas serão protocolares, valendo para alguns dos proponentes iniciarem seus périplos para um dia tentarem chegar às cortes superiores.

Nos estados, as disputas ainda estão sendo definidas, com os MPs de cada unidade da federação ainda decidindo quem serão seus indicados. Um dos nomes que desponta é o do procurador de Justiça do Acre Sammy Barbosa. Seu principal apoiador é o ministro Mauro Campbell, do STJ.

Ele figurou na última lista destinada ao MP no Superior Tribunal de Justiça, elaborada no governo Dilma Rousseff. Naquela ocasião, perdeu a indicação presidencial para o hoje ministro Sérgio Kukina.

O terceiro nome dessa lista tríplice foi o de José Eduardo Sabo Paes, do Distrito Federal. Agora, o também procurador de Justiça deverá retornar à disputa com boas chances de ser indicado ao STJ.