A Paper Excellence quer saber do Comitê de Decisão Regional do Incra do Mato Grosso do Sul quem vazou à imprensa decisão do colegiado que negou à empresa a posse de uma planta de celulose localizada em Três Lagoas. O empreendimento foi adquirido pela companhia da família Widjajas junto com o controle da Eldorado Celulose.
Segundo a multinacional, uma resolução da reunião do Comitê foi vazada antes mesmo de seus advogados serem notificados da decisão. Na quinta-feira (22), o grupo do Incra decidiu que, apesar de ter comprado a planta, a companhia asiática não pode tomar posse do bem, pois a operarão não foi avalizada pelo Congresso e pela autarquia, conforme prevê a lei.
O processo contra a Paper, por conta da compra da planta em Três Lagoas, foi instaurado a partir de uma denúncia anônima. A empresa afirma que ficou sabendo da decisão do colegiado do Incra pela imprensa, que procurou a companhia para comentar o assunto.
A Paper também questiona o comitê pela proibição à presença de seus advogados durante a reunião onde foi tomada a decisão contrária aos interesses da multinacional. “A companhia vinha tentando desde o dia 7 de fevereiro obter autorização formal da Superintendência do Incra para acompanhar a apreciação do pedido de reconsideração por parte do Comitê liderado pelo próprio Superintendente. Porém, os pedidos feitos pela empresa foram ignorados”, afirmou a companhia.
O caso Eldorado
A compra da Eldorado Celulose é discutida na Justiça após discordâncias entre a Paper e a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Eles venderam 49,5% de participação na Eldorado Celulose para Paper por R$ 3,7 bilhões, em 2017, mas desistiram do negócio em seguida. Alegaram divergências contratuais, principalmente em questões relacionadas ao valor pago pelos asiáticos.
Uma arbitragem contratada para solucionar a disputa acabou se tornando mais um capítulo de uma guerra que agora envolve disputas em diversas instâncias do Judiciário, políticos, lobistas e imprensa. Um dos últimos atos dessa batalha foi uma decisão do ministro de Mauro Campbell,do Superior Tribunal de Justiça, em 23 de janeiro.
O ministro atendeu pedido da J&F e suspendeu julgamento sobre o caso Eldorado previsto para aquele mesmo dia, no Tribunal de Justiça de São Paulo. A corte analisaria recurso contra decisão que garantiu a venda da Eldorado à Paper.

