O juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, deu razão à XP Investimentos no processo que o empresário Marco Antônio Puerta move contra a corretora. Puerta acusa a XP de coagir seu próprio filho – que era funcionário da corretora – a pressioná-lo para contratar um empréstimo considerado de risco que resultou em prejuízo.
Na decisão de terça-feira (1º), o juiz diz que o empresário é “investidor que conhece bem a dinâmica do mercado” e que possui “ampla experiência e notório conhecimento em operações financeiras.”
André Augusto Salvador Bezerra não cita em seu despacho os prints de mensagens trocadas entre Gabriel Puerta – filho de Marco Antônio que trabalhava na XP – e seu chefe direto à época, o assessor de investimentos Leonardo Augusto Chitero Spelta. Em um dos contatos, Spelta chega a dizer a Gabriel que Marco Antônio “antes de seu pai, é seu cliente”.
O empresário já tinha investido cerca de 22 milhões de reais em um fundo por meio da corretora. No processo, ele afirma que, depois que o filho foi contratado pela XP em 2021, passou a receber uma proposta para tirar 15 milhões de reais de seus investimentos e tomar um empréstimo no mesmo valor.
Os 15 milhões seriam aplicados em certificado de operações estruturadas (COE) por cinco anos, enquanto o empréstimo, mediante Cédula de Crédito (CCB), serviria para que ele não ficasse sem recursos disponíveis.
O juiz disse ainda que a discussão sobre a relação do ex-funcionário com a XP deve ser discutida em outra esfera judicial, a trabalhista. Ele desconsiderou que houve pressão da corretora sobre o cliente e ex-funcionário.
Ainda cabem recursos à decisão do juiz André Augusto Salvador Bezerra. O Bastidor não conseguiu contato com a defesa de Marco Antônio.
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