A ausência de Augusto Aras está sendo percebida entre procuradores da República. O PGR passou os últimos dias recluso e calado. Desde segunda-feira (24), sua única aparição pública foi na terça-feira (25), durante sessão do Conselho Nacional do Ministério Público. Desde então, sua agenda oficial (veja print abaixo ou aqui) não registra compromissos públicos.
Ainda não se sabe o que o PGR fará nesta sexta-feira (28), pois seus compromissos são divulgados apenas no fim do dia. A expectativa é que ele só apareça publicamente no domingo (30), no Tribunal Superior Eleitoral, durante a apuração dos votos do segundo turno.
Aras não apareceu nem no evento organizado na quinta-feira (27) pelo CNMP, que tevea presença do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e diversos integrantes importantes da PGR e do conselho. Fontes da Procuradoria-Geral da República disseram que a ausência é incomum, ainda mais num ambiente controlado e favorável ao PGR.
“Se o convidado fosse o Alexandre de Moraes, até haveria uma justificativa”, afirmou um procurador.

O período de silêncio bate com a crise criada pelo ataque de Roberto Jefferson aos policiais federais que foram prendê-lo a mando do Supremo. Aras até propôs, durante a sessão de terça-feira (25) do CNMP, moção de apoio à ministra Cármen Lúcia – alvo dos xingamentos abjetos proferidos pelo político e que motivaram a prisão ordenada por Alexandre de Moraes.
“Da mesma forma que defendemos a nossa independência profissional, também defendemos e sempre defenderemos a formação da livre convicção do julgador na sua respectiva fundamentação”, afirmou Aras.
Aras foi das últimas autoridades a prestar solidariedade à ministra e não mencionou o nome de Jefferson em momento algum. Seu receio tem motivo: sua vice, Lindôra Araújo, vice-PGR, defendeu em 2021 que Jefferson deixasse a prisão e cumprisse sua pena em casa. Naquele momento, Jefferson já havia publicado inúmeros vídeos empunhando armas de grosso calibre e conclamando a população a protestar contra o Supremo.

