Deve-se a Renan Calheiros, em boa medida, a hesitação do presidente Jair Bolsonaro em indicar Humberto Martins à próxima vaga no Supremo. O presidente do STJ ascendeu no Judiciário graças ao senador alagoano, seu conterrâneo.

Renan se aliou ao ex-presidente Lula, tornou-se relator da CPI da Pandemia e, em poucas semanas, revelou-se o principal adversário de Bolsonaro em Brasília.

Martins conquistou, há meses, a confiança de Flávio Bolsonaro e Frederick Wassef. Eles insistem que o presidente do STJ distanciou-se de Renan e nada tem a ver com os ataques do senador ao governo.

A ala militar do governo e aliados de André Mendonça, no entanto, dizem ao presidente o contrário: Martins e Renan nunca estiveram tão próximos. Caso o presidente do STJ assuma a vaga de Marco Aurélio, trairá Bolsonaro, asseguram.

Os adversários da dupla Flávio Bolsonaro e Wassef conseguiram criar sérias dúvidas na cabeça do presidente. Ao menos por ora, Bolsonaro acionou Jorge Oliveira. Se a desconfiança quanto à lealdade de Martins prosseguir, o novo ministro do TCU é uma opção do presidente.