Pelo menos três partidos já ingressaram com pedidos de investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP), por propaganda eleitoral antecipada. Novo, MDB e PSDB querem que a dupla seja condenada pelo crime, depois do discurso do presidente no ato do Dia do Trabalhador, realizado na quarta-feira (1º), em São Paulo.

Na ocasião, Lula pediu aos presentes que votassem em Boulos para prefeito de São Paulo, nas eleições deste ano. O presidente repetiu o mesmo erro que cometeu em 2010, quando solicitou aos participantes do mesmo evento que votassem na então pré-candidata Dilma Rousseff, que concorreria à Presidência da República.

O pedido do Novo foi o primeiro a ser analisado pela Justiça Eleitoral, que determinou a retirada de todos os vídeos publicados em que o presidente fez menção a Boulos. O juiz Paulo Eduardo de Almeida Sorci mandou que Lula e o YouTube apaguem os vídeos em um prazo de 24 horas. As demais solicitações ainda não foram analisadas pela Justiça.

O presidente e o deputado ainda foram intimados a se manifestar. Logo em seguida, o magistrado já deverá emitir uma sentença de mérito. Em caso de condenação, podem ser obrigados a pagar multa de até 25 mil reais.

A fala de Lula gerou uma repercussão negativa imediata. Horas depois do discurso, as redes sociais mantidas pela Secretaria de Comunicação (Secom) do governo federal retiraram os vídeos mostrando Lula pedindo votos a Boulos.

A atitude do presidente deve gerar um desgaste desnecessário nessa fase de pré-campanha a Boulos. O deputado do PSOL tem aparecido nas pesquisas de intenção de voto com ligeira vantagem contra o atual prefeito, Ricardo Nunes (MDB). Até aqui, a tendência é que os dois polarizem a disputa paulistana.