O Ministério Público Eleitoral se manifestou a favor da cassação do mandato do senador Sergio Moro (União-PR) nesta segunda (01), no julgamento dos processos a que ele responde no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR).
Moro é acusado de abuso de poder político e econômico e de ter feito caixa 2 na campanha de 2022, quando se elegeu senador. As ações foram movidas pelo PL, de Jair Bolsonaro, e pelo PT, de Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o procurador regional eleitoral, Marcelo Godoy, os gastos da pré-campanha de Moro, que inicialmente queria se candidatar à Presidência da República pelo Podemos, representaram abuso diante dos demais candidatos, gerando desequilíbrio de forças.
Godoy já havia assinado, em dezembro de 2023, um parecer defendendo a tese de que Moro extrapolou os gastos da pré-campanha. Durante o julgamento, ele reforçou esse entendimento e pediu não só a cassação, mas a declaração de inelegibilidade do senador.
O posicionamento de Godoy, que é originalmente procurador da República, contrasta com a postura que o Ministério Público Federal no Paraná teve com o ex-juiz. Mensagens vazadas em 2019 mostraram que integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato combinavam com Moro passos da investigação.
As mensagens geraram ações pedindo a anulação dos processos. Na mais recente leva, grandes grupos empresariais, como J&F, Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa, tem solicitado o fim dos acordos de leniência que assinaram, nos quais assumiram os casos de corrupção que participaram ao longo das últimas décadas, inclusive fornecendo provas.

