O ex-presidente do Peru, Ollanta Humala, e sua mulher, Nadine Heredia, foram condenados nesta terça-feira (15), a 15 anos de prisão, por lavagem de dinheiro. Humala decidiu cumprir a pena. Heredia pediu asilo no Brasil, que foi concedido pelo presidente Lula.

Ela já está na embaixada do Brasil em Lima, no Peru, à espera do salvo conduto para viajar.

A investigação que condenou Humala começou em 2016 e é um braço da Operação Lava Jato. As provas contra ele foram produzidas por delações premiadas de ex-executivos da Odebrecht. Segundo eles, a empreiteira financiou candidaturas de todos os partidos no Peru, nas últimas três décadas. Em outro julgamento relacionado a propinas da empreiteira, o também ex-presidente Alejandro Toledo foi condenado a 20 anos de prisão.

O caso envolvendo Humala é referente à campanha de 2011. O casal foi denunciado por ter recebido cerca de 3 milhões de dólares. O julgamento durou três anos. Os promotores afirmaram que o ex-presidente e a esposa enriqueceram graças às propinas pagas pela Odebrecht e pela OAS, também investigada na Lava Jato.

Humala foi detido logo depois da proclamação da sentença. Heredia não estava presente e, por isso, há uma ordem de prisão contra ela, que poderá ser detida caso saia da embaixada brasileira.

Além de negar os crimes, o casal afirma que é alvo de um processo de perseguição política.

As investigações sobre propinas de construtoras brasileiras a políticos peruanos atingiram, além de Humala e Toledo, os ex-presidentes Alan García e Pedro Pablo Kuckzynski. García se suicidou em 2019, antes de ser preso; Kuckzynski ainda não foi julgado.