O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, decidiu que o relator do inquérito da Operação Overclean será o ministro Kassio Nunes Marques. A determinação contraria pedido da Polícia Federal para que o caso fosse remetido a Flávio Dino.
Na decisão de deixar o caso com Kassio, Barroso usou argumentos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que não viu motivos para redistribuir a relatoria no STF.
A PF defendia que, como Dino já conduz processos relacionados a emendas parlamentares, seria ele o mais indicado para dar continuidade às investigações. O despacho do presidente do STF é uma vitória do grupo político investigado, que temia que o caso fosse parar nas mãos de Dino.
A Operação Overclean apura possíveis desvios de dinheiro público por meio de emendas e de contratos do DNOCS (Departamento de Obras Contra a Seca) em vários estados. Segundo as investigações, a organização criminosa liderada por Marcos Moura, conhecido como Rei do Lixo, movimentou mais de 1,4 bilhão de reais desde 2020.
O caso chegou ao STF após a PF encontrar documentos que tratam de uma transação imobiliária entre Moura e o deputado federal Elmar Nascimento, do União Brasil.
O esquema, que começou na Bahia, chegou ao Amapá, Rio de Janeiro, Tocantins e Goiás, segundo as investigações. Em seu relatório, a PF cita contatos entre o grupo criminoso do qual Moura faz parte com Ana Paula Magalhães de Albuquerque e Lima, assessora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
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