O deputado federal Alexandre Ramagem afirmou nesta segunda (9) em depoimento à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal que os arquivos com críticas às urnas eletrônicas encontrados em seu computador não eram parte de um plano de ação, mas simples registros pessoais. “Documentos privados, com opiniões privadas”, disse.
Réu no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, Ramagem foi diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) no governo Bolsonaro e é um dos réus do núcleo central da trama golpista. Depôs logo depois do tenente-coronel Mauro Cid. Disse que escrevia para “concatenar as ideias” e jamais repassou os textos a terceiros. “Não houve difusão qualquer, encaminhamento qualquer desse documento”.
Entre os arquivos, a Polícia Federal encontrou um texto intitulado “Presidente TSE informa.docx“, com argumentos contrários às urnas eletrônicas, aparentemente elaborados para embasar falas públicas de Jair Bolsonaro. Outro trecho das anotações sugeria o uso da Advocacia Geral da União para contornar ordens judiciais desfavoráveis, estratégia que, segundo a Procuradoria Geral da República, visava blindar Bolsonaro de decisões do próprio Supremo.
Ramagem afirmou que deixou de escrever sobre o tema após a derrota da PEC do voto impresso em agosto de 2021. “Depois dessa votação, não há mais nenhuma anotação privada, discussão pública, não há”, disse.
O parlamentar foi o segundo dos oito réus a prestar depoimento nesta semana. A fila ainda inclui os generais Braga Netto e Augusto Heleno, o ex-ministro Anderson Torres e o próprio ex-presidente.

