Augusto Aras está no YouTube. Quem quiser saber como pensa o procurador-geral da República precisa se inscrever no canal com menos de 200 seguidores e clicar no sininho. As duas manifestações mais recentes do procurador-geral entraram para a lista de 27 vídeos publicados em seu canal na rede social.

Na primeira, Aras defendeu a democracia de modo genérico, sem condenar expressamente a reunião do presidente Jair Bolsonaro com embaixadores para mentir sobre o sistema eleitoral.

A segunda mostra Aras dizendo a parlamentares que coibiu atos violentos no 7 de setembro de 2021 e que repetirá a dose este ano. É uma resposta torta às convocações de Bolsonaro para manifestações golpistas no dia do bicentenário da Independência, em setembro.

O canal foi a saída de Aras para fazer o duplo papel de dar satisfações que seu cargo exige, sem desagradar Bolsonaro. Aras pode dizer ao mundo político que tem se manifestado sobre as ameaças antidemocráticas de Bolsonaro. Ao mesmo tempo, como suas falas não têm nenhuma repercussão na rede social, ele não incomoda Bolsonaro e os bolsonaristas.

Mas a jogada pode não funcionar sempre. Aras está na mira de sete senadores que participaram da CPI da Pandemia. O grupo quer que ele diga se sabia ou não das manifestações de sua vice, Lindôra Araújo, pelo arquivamento de diversas “pré-investigações” no Supremo Tribunal Federal sobre a conduta de Bolsonaro no combate à pandemia.

Os senadores buscam um fato jurídico para colocar Aras contra a parede. Um parlamentar disse ao Bastidor que eles já entenderam como o procurador-geral usa sua vice de escudo. Vale lembrar que, logo após o fim da CPI, senadores da CPI já cogitavam tentar o impeachment do procurador-geral da República caso as apurações não andassem.