O STF “tem um encontro marcado” com as delações firmadas em decorrência das investigações da Lava Jato. Pelo menos essa é a vontade de Gilmar Mendes. O decano da corte aproveitou o julgamento que está arquivando investigação contra Renan Calheiros e Jader Barbalho para criticar as apurações intermináveis da PGR e da PF com base em delações.
No caso, a delação que implicou os dois senadores partiu de um ex-colega: Delcídio do Amaral. O alagoano e o paraense foram acusados pelo ex-senador de – juntamente com Edison Lobão – receberem dinheiro desviado da construção da usina de Belo Monte para beneficiar Galvão Engenharia, OAS e Queiroz Galvão.
Em seu voto, Gilmar destacou que a delação de Delcídio, “cujos vícios e fragilidades vêm sendo apontados”, mostram que o Supremo terá que analisar a validade de “outros acordos que foram celebrados em condições de legalidade duvidosa”. “Entendo que o Plenário [do STF] tem um encontro marcado com esse e outros acordos que foram celebrados em condições de legalidade duvidosa, tal como observado a partir das informações posteriormente divulgadas nos meios de comunicação. Caberá ao STF reavaliar a legalidade e a higidez desses pactos”, disse o ministro.
Delcídio teve sua delação homologada pelo STF em março de 2016. O ex-senador implicava Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, Aécio Neves, Eduardo Cunha, André Esteves, entre outros. Só que o tempo foi se encarregando de desmontar as afirmações. Em Brasília, por exemplo, os procuradores pediram a absolvição de Lula e Esteves das acusações de que teriam tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

