O governo Lula chegou para tirar a Petrobras das mãos dos bolsonaristas e colocar no colo do PT da Bahia, que tem o senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, como caciques. A dupla conta a ajuda de Jean Paul Prates, petista potiguar que preside a estatal, e um velho conhecido da companhia, o também baiano José Sergio Gabrielli, ex-presidente da empresa durante o escândalo da Lava Jato.
O interesse de Wagner se dá desde antes do começo do governo, segundo uma fonte próxima ao senador ouvida pelo Bastidor. Pouco depois da vitória, o senador e sua equipe passaram a estudar e acompanhar mais de perto o setor de óleo e gás.
A interinidade de Prates até março, enquanto aguarda aprovação da próxima assembleia geral da estatal, já é suficiente para tudo começar a funcionar. O presidente da Petrobras, antes mesmo de sentar na cadeira, já levava Gabrielli a diversas reuniões, inclusive com Lula, segundo fontes da cúpula da Petrobras.
Uma delas afirmou que até os corredores da estatal sabem que o PT da Bahia está “mandando muito”, e que Gabrielli já é considerado eminência parda na empresa; porém, sem poder aparecer pelos erros que cometeu – e foi acusado na Justiça – quando geriu a Petrobras.
O ex-presidente teve sua aposentadoria como professor da Universidade Federal da Bahia cassada pela Controladoria-Geral da União, por conta de erros de avaliação cometidos na compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Gabrielli também foi condenado pelo Tribunal de Contas da União a ficar oito anos fora de cargos públicos, devido ao superfaturamento das obras da refinaria Abreu e Lima.
Mas nada disso impediu Gabrielli de opinar sobre a gestão da companhia nos anos Jair Bolsonaro. Em maio do ano passado, participou com Prates da da 10ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros. Lá, afirmou que o então ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, estava falsamente falando em privatizar a Petrobras para colocar “um bode na sala” e criar “uma cortina de fumaça, para abafar os aumentos dos combustíveis”.
Prates endossou, chamou Sachsida de “negacionista que se propõe a ser o homem que vai privatizar a Petrobras”.
Jean Paul Prates e José Sergio Gabrielli foram procurados para comentar as informações, mas não responderam até a publicação.

