O Supremo Tribunal Federal vai unificar as investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais que envolve o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, fez o pedido para incluir as investigações sobre a venda de decisões no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) no inquérito já em andamento, que apura casos relacionados ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ao Superior Tribunal de Justiça.
Andreson Gonçalves é apontado como um dos principais articuladores de negociações de decisões judiciais em Brasília, especialmente em gabinetes do STJ. O relator do inquérito será o ministro Cristiano Zanin, que já é responsável pelas investigações relacionadas ao TJMT e ao STJ.
Segundo investigações, Andreson tinha um esquema de venda de decisões com o advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em Cuiabá (MT) em dezembro de 2023. Nas mensagens encontradas no celular do advogado morto, a Polícia Federal encontrou indícios de que assessores de quatro ministros do STJ também estariam envolvidos no caso. Os ministros do STJ mencionados são Isabel Galotti, Nancy Andrighi, Og Fernandes e Moura Ribeiro.
Como um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou uma movimentação financeira atípica do ministro do STJ Moura Ribeiro, o caso foi encaminhado para o STF.
Moura Ribeiro nega envolvimento no esquema e afirma não conhecer Gonçalves.
Na última quinta-feira (24), a Polícia Federal deflagrou a operação Ultima Ratio, que resultou no afastamento de cinco desembargadores do TJMS. Além dos desembargadores, a investigação também envolve nove advogados (entre eles filhos dos magistrados afastados) e juízes de primeira instância.

