Augusto Aras está prestes a lançar seu livro, “O Procurador”, no qual conta sua visão de como foi ser Procurador-Geral da República durante o governo Jair Bolsonaro. O material, ainda indisponível para o público, já divide o Ministério Público Federal.
Alguns integrantes do MPF disseram ao Bastidor que não lerão o livro. Acham que será uma reedição da tentativa de Rodrigo Janot para tentar rebater as críticas que sofreu quando esteve à frente da PGR. Outros dizem que vão ler o material para rir da “estória” de Aras.
Aras foi muito criticado durante seus quatro anos à frente da PGR por não denunciar Jair Bolsonaro por nada. Exemplo mais gritante, nada fez diante dos desmandos durante à pandemia da Covid-19; impediu investigações com chicanas burocráticas.
No fim de seu mandato, já na gestão Lula, o ex-procurador-geral mudou um pouco seu perfil, avançando levemente contra os bolsonaristas. A ideia era tentar um terceiro mandato, pois percebeu que não tinha mesmo chances de ir para o Supremo. Não adiantou. Saiu da PGR sendo criticado por petistas, pela inércia, e por bolsonaristas, devido à suposta traição.
Novos ares
O lançamento do livro marca o fim do ciclo de Aras na PGR, que está a caminho do setor privado. O ex-procurador-geral negocia com o escritório de advocacia Tauil & Chequer.
A aposentadoria da deve ser concretizada neste mês, e foi uma exigência do Tauil & Chequer, devido a parcerias com escritórios dos Estados Unidos que exigem das pessoas com quem trabalham a certeza de não haver conflitos de interesse junto ao Poder Público.
Apesar da iminente saída da PGR para somente advogar, Aras sempre exerceu a dupla atividade. Desde 2017, ele atua em parceria com Luiz Augusto Coutinho, conselheiro federal da OAB pela Bahia. Aras não faz nada ilegal, pois ingressou no Ministério Público antes de 1988, quando foi estabelecida em lei a proibição da dupla militância.

