A cúpula da equipe de investigação da Polícia Federal que revelou as fraudes bilionárias no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) foi toda trocada no fim de maio. O último a deixar o posto foi o diretor de Combate ao Crime Organizado, Ricardo Saadi, que assume o comando do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) nesta terça-feira (1).
O inquérito das fraudes no INSS é resultado de um conjunto de investigações que corriam em delegacias de repressão a crimes previdenciários de diversos estados. Todos os elementos colhidos separadamente foram juntados para a deflagração da operação Sem Desconto, em 23 de abril.
As movimentações na alta cúpula da investigação ocorreram pouco tempo depois. O delegado Carlos Henrique de Sousa, ex-coordenador de combate a crimes fazendários, é quem assina o documento que relata as movimentações atípicas das entidades que participavam do esquema de desvio. Ele foi nomeado para chefiar a superintendência da corporação na Paraíba.
O delegado Luis Eduardo Melo de Castro, um dos coordenadores da operação Sem Desconto, também foi transferido para a superintendência na Paraíba, onde será o delegado executivo -espécie de número 2 de Carlos Henrique.
O delegado Bruno Bergamaschi segue, até o momento, na condução das investigações sobre fraude no INSS. Foi ele quem enviou a representação à Justiça Federal do DF, que autorizou o cumprimento de mandados e pedidos de afastamentos.
Entretanto, o delegado da PF Rafael Dantas, que não participa de nenhuma parte da investigação, pediu ao ministro Dias Toffoli que as investigações de fraudes do INSS sejam levadas ao Supremo Tribunal Federal.
Dantas argumenta haver uma possível relação das fraudes no INSS com o inquérito que conduz, que envolve o ex-advogado Rodrigo Tacla Duran e o senador Sergio Moro (União-PR) por conta de sua atuação como juiz na operação Lava Jato.
Dantas afirma que, como ministro da Justiça no governo Bolsonaro, Moro ajudou a elaborar a estrutura da legislação que, tempos depois, foi usada para as associações desviarem o dinheiro das aposentadorias.
O senador Sérgio Moro nega relação entre sua atuação e mudanças que ajudaram os fraudadores. Numa primeira análise, o ministro Dias Toffoli afirmou que não enxerga “que os fatos narrados no INQ 4946, supostamente envolvendo o senador Sérgio Moro, guardem uma relação mais estreita com aqueles em apuração na Operação Sem Desconto”.

