O embate sobre o rito de tramitação das medidas provisórias entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, envolve também pontos que devem definir o futuro da relação do governo com o deputado.

A gestão petista, embora busque arbitrar o conflito sem tomar parte das posições divergentes, começa a atribuir a Lira as dificuldades que têm enfrentado no Congresso, em especial na formação da base e no andamento de pautas do seu interesse

“O governo não consegue formar uma maioria, porque o Lira controla. A CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] está parada. O PT tem a presidência, mas não tem uma maioria simples que dê segurança”, disse um interlocutor a o Bastidor. “Em 100 dias, ainda não há nada aprovado de importante na Câmara”;

Por trás da agenda de Lira está a insatisfação com a demora do governo em liberar emendas parlamentares e na indefinição das indicações do Centrão a cargos do segundo e terceiro escalões. O Bastidor já mostrou aqui que a lentidão atrapalhou o governo em outras pautas.

Aliados dizem que o presidente da Câmara também esperava do Planalto uma sinalização positiva sobre a proposta para a tramitação das MPs, já que facilitaria a vida do governo por tornar o rito mais célere, como defendem deputados petistas.

Nesta terça-feira 11, o Congresso deve instalar e eleger os integrantes de quatro comissões mistas, com deputados e senadores, para analisar três MPs editadas por Lula:

·       a que reestrutura a Esplanada dos Ministérios;

·       a que recria o Bolsa Família;

·       a que recria o Minha Casa Minha Vida;

A MP do Carf será enviada ao Legislativo na forma de um projeto de lei de urgência constitucional após um pedido de Lira. O governo teme contrariá-lo por motivos óbvios: ele detém a agenda da Casa.