Em meio às negociações para aprovação da Medida Provisória que reestrutura os ministérios, a articulação política do governo acenou para a possibilidade de tirar ministérios do União Brasil, que até a manhã de quarta-feira (31) havia fechado questão contra o texto do deputado Isnaldo Bulhões (MDB) na Câmara.

A ameaça não surtiu efeito, já que a resposta do líder do União Brasil, Elmar Nascimento (BA), ao Palácio do Planalto foi: “pode tirar todos, nós não temos nenhum”. O presidente Lula chegou a marcar uma reunião com Elmar antes de a votação começar.

A declaração de Elmar leva em conta os três ministérios que foram concedidos à legenda: Comunicações, Turismo e Integração e do Desenvolvimento Regional. Dois deles têm indicados do senador Davi Alcolumbre (AP) – Juscelino Filho e Waldez Góes – e nenhum teve a anuência da maioria dos 59 deputados do União Brasil.

Em discurso durante a análise da MP no plenário da Câmara, Elmar disse que o voto favorável da bancada se deu em gratidão ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), de quem é um dos principais aliados.

Como mostrou o Bastidor, partidos do Centrão cobraram do governo uma reforma ministerial que possa atender, além do União Brasil, potenciais aliados do Republicanos. Os votos dos dois partidos, que cogitaram rejeitar a MP, foram cruciais para a aprovação.

O governo agora avalia quais mudanças fazer e qual o momento certo. Há o receio de contrariar Alcolumbre, que preside a Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É por lá que passará, por exemplo, a indicação do advogado Cristiano Zanin para o Supremo Tribunal Federal.

O senador é definido pela bancada do PT como alguém que “costuma criar dificuldades para vender facilidades” e, por isso, o governo quer evitar que o novo arcabouço fiscal passe pela CCJ antes de ir ao plenário do Senado. Nesta quinta (1), Lula se reunirá com Alcolumbre.