Sobrou para Fábio Faria a conta pelo desastre político do caso das rádios. Segundo interlocutores do ministro das Comunicações e de Jair Bolsonaro, Faria havia assegurado à campanha do presidente que Alexandre de Moraes e o TSE comprariam a versão de que o candidato do PL fora prejudicado nas inserções.
Uma vez convencido de que havia problema nas inserções, o ministro disse aos aliados que sua boa relação com Moraes e demais integrantes do Judiciário “ajudaria” no convencimento da corte eleitoral. Bolsonaro e seus advogados acreditaram.
Dentro da campanha, a promessa de Faria foi encarada como essencial para a manobra. Apesar dos alertas de Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira, supunha-se que a “denúncia de fraude eleitoral” seria levada a sério pelo TSE. O próprio presidente acreditava nisso.
Como Moraes deu toco de pronto na petição inicial, a campanha de Bolsonaro entrou em parafuso. Os bolsonaristas passaram a radicalizar, dobrando a aposta contra o TSE e pedindo até o adiamento das eleições.
Interlocutores do presidente afirmam que Bolsonaro isolou Faria da campanha, furibundo com a promessa não cumprida e a”humilhação” sofrida. A pessoas próximas, Faria disse que foi ele quem se afastou da campanha, por temer se queimar perante seus amigos no Judiciário e ser confundido com um “radical”.

