É jogo combinado a declaração da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e de outros petistas, além do próprio Lula, sugerindo que poderá ser ele o candidato a presidente em 2026. O leitor lembra que Lula tinha jurado durante a campanha eleitoral que não tentaria a reeleição.
A aliados mais próximos, Lula disse recentemente que, a preço de hoje, dificilmente disputaria uma nova eleição. É por isso, acrescenta um auxiliar, que o presidente tem pressa para entregar programas sociais, crescimento econômico e, sobretudo, a velha sensação de bem-estar social.
Lula, porém, libera as especulações sobre uma possível tentativa de permanecer no cargo por alguns:
. está no início do mandato e não quer ter gente dentro e fora de seu governo se portando como presidenciável. Ele acha que isso o enfraquece. Lula diz que não quer tomar café frio por quatro anos.
. tenta evitar uma briga fratricida. Lula acredita em Fernando Haddad, mas há gente no PT que acha que a oportunidade do ministro na Fazenda chegar à Presidência da República já passou, porque ele perdeu a eleição para prefeito em 2016, perdeu a eleição para presidente 2018 e perdeu a eleição para governador em 2022.
. o presidente acha que, evitando as disputas para sucedê-lo, pode garantir por tempo maior a base de apoio no Congresso. Ele está certo em parte, mas nem todos seus auxiliares concordam.
O problema na avaliação de um assessor de Lula é que a estratégia pode ter um efeito rebote e afugentar os parceiros do governo, como MDB, PSB, PDT e PSD, para citar alguns, que querem ter seus próprios candidatos como herdeiros de um eventual sucesso do governo em 2026. Ao se declarar candidato, Lula fará sombra a todos.

