Encampada pelo deputado Rubens Bueno e outros deputados da Comissão de Educação da Câmara, está em curso uma articulação para convencer o presidente eleito a revogar a nomeação de Elizabeth Guedes, lobista de grandes grupos de universidades privadas, no Conselho Nacional de Educação.
Beth Guedes, como é conhecida a irmã do ministro da Economia, Paulo Guedes, atua como representante dos interesses de faculdades como Kroton e Estácio de Sá (ambas com ações em bolsa).
No mês passado, Jair Bolsonaro a indicou para a câmara de Ensino Superior no CNE, conselho responsável justamente pelo controle e fiscalização de universidades privadas, cujos interesses Beth Guedes defende.
Ouvido pelo Bastidor sobre a movimentação dos deputados, um membro do grupo de transição de Lula afirmou que a revogação seria um precedente perigoso, porque os conselheiros do CNE têm mandato. Dificilmente haverá uma recomendação no sentido de apeá-la do colegiado.
A articulação para o revogaço está baseada na revogação de Michel Temer, que cancelou a nomeação de 12 conselheiros indicados por Dilma Rousseff em 2016. A questão é que, à época, a então presidente havia publicado as indicações de maneira antecipada, ainda em 2015, antes do fim dos respectivos mandatos. Não é o caso agora.

