O fato de estar em muitos lugares ao mesmo tempo começa a pesar para o ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira. A proximidade de sua pasta com bons negócios feitos pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista chamou a atenção do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, motivou um pedido de convocação da oposição na Câmara e o obrigou a dar uma entrevista – na qual não sei saiu bem.
Silveira teve de falar à GloboNews nesta sexta-feira (12) porque o TCU e a oposição reagiram a uma reportagem do Estadão que listou 17 reuniões de executivos da Âmbar, empresa de energia da J&F dos Batista, no ministério desde 2023. A Âmbar comprou usinas e, duas semanas depois, o ministério editou uma Medida Provisória que transferiu para os bolsos de todos os brasileiros as dívidas que seriam dela.
Silveira estava nervoso, tanto que atropelou os entrevistadores, usou o velho recurso de justificar algo falando de sua vida pública – uma tática para desviar o assunto – e usou jargões. Negou ter recebido o presidente da Âmbar, Marcelo Zanata, para falar da MP com que presenteou os Batista.
No pior momento, Silveira mandou recados cifrados, ao estilo agressivo de Eduardo Cunha: “Recebi Marcelo Zanata como recebo André Esteves (BTG), (Rubens) Ometto (Cosan) e (Milton) Maluhy (Filho), do Itaú”. Ometto tem sido parceiro do ministro na tentativa de fazer o novo CEO a Vale, à revelia do governo. O BTG, banco de Esteves, disputa o controle da Amazonas Energia com a Âmbar, dos Batista. Foi a ele que Silveira se referiu na entrevista quando falou que a questão é apenas “choro de perdedores”.
Atitudes assim mostram que o ministro está pressionado. Em primeiro lugar, recados do tipo demonstram que Silveira não sabe de onde vêm os ataques que o atingem e se defende a esmo. Em segundo lugar, ele terá de trabalhar politicamente para mobilizar a bancada do governo para driblar uma eventual convocação. Afinal, está claro que é melhor evitar ter de explicar a questão da Âmbar publicamente.

