Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira (12), aponta que as manifestações na Venezuela já deixaram pelo menos 23 pessoas mortas, além de centenas de feridos e mais de 1 mil pessoas presas, algumas delas crianças.
O documento mostra como o regime de Nicolás Maduro está sob pressão intensa e crescente. A repressão da polícia local aumentou drasticamente depois que o ditador anunciou ter sido o vitorioso nas eleições de 28 de julho.
A situação na Venezuela vem escalando em violência de ambos os lados, mas com clara vantagem das forças de segurança. Os presos, segundo a ONU, têm sido indiciados por crimes graves, como terrorismo e conspiração. As audiências de custódia são conduzidas de forma precária, para piorar a situação dos detidos.
Entre os presos, segundo a ONU, estariam pelo menos uma centena de crianças e adolescentes. É uma clara violação aos direitos humanos. A missão especial destacada para a Venezuela pede a investigação imparcial sobre os excessos cometidos pelas autoridades locais – o que é praticamente impossível, dado que o Judiciário é controlado pelo governo.
Para tentar reduzir a violência na região, o governo dos Estados Unidos anunciou que avalia conceder uma anistia a Nicolás Maduro, caso ele deixe o poder e conceda o mandato ao opositor Edmundo González, autodeclarado vencedor das eleições.
Os Estados Unidos oferecem 15 milhões de dólares em recompensa a quem fornecer informações que possam ajudar a capturar Maduro, acusado de atuar em parceria com cartéis do tráfico, que ajudam a sustenta-lo no poder.
Os Estados Unidos reconheceram a vitória de Edmundo González, nas eleições e, assim como o Brasil, exigem que Maduro apresente as atas eleitorais. A oposição divulgou cerca de 80% das atas eleitorais obtidas nos locais de votação. Em tais documentos, que se assemelham aos boletins das urnas brasileiras, González teria vencido com ampla margem.
O governo venezuelano afirma que os documentos divulgados pela oposição são fraudulentos, mas até agora não apresentou as atas verdadeiras. A cada dia, fica mais óbvio que elas não existem.
González deixou de comparecer à uma convocação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), a mais alta corte do país. Os magistrados consideram que ele cometeu desacato ao desobedecer a ordem, tomada em um processo aberto por Maduro, para que a corte confirme a vitória.
Em Brasília, a movimentação para negociar uma saída no país vizinho permanece. Nesta semana, o chanceler Mauro Vieira viajará à Colômbia, para discutir o posicionamento brasileiro diante do resultado eleitoral na Venezuela.
Os governos do Brasil, Colômbia e México anunciaram um posicionamento em comum, mais conservador, no qual exigem a apresentação das atas por Maduro e ainda não o reconhecem como reeleito. Os Estados Unidos pressionam para que o trio seja mais incisivo contra o ditador, que se recusa a sair do poder.
Maduro tem usado a nota conjunta dos três países em discursos para mostrar que tem algum respaldo político internacional. Entretanto, os únicos governos a reconhecerem sem ressalvas a vitória dele são ditaduras e autocracias como Rússia, China, Cuba, Nicarágua e Irã, por exemplo.

