Um dos pontos no requerimento para a instalação da CPI da Braskem que mais incomodaram o presidente Lula é o que diz que a comissão investigará “as decisões de seus acionistas controladores que distribuíram volumosos dividendos mesmo após ser constatado o dano socioambiental”, o que inclui a Petrobras.

Lula acha que é uma brecha para a oposição criar constrangimentos ao governo petista. Por se tratar de um desastre com risco assumido ao longo de décadas, é possível que se solicite documentos antigos da Petrobras e da Braskem e se reviva o trauma petista com a Lava Jato.

No encontro que teve nesta terça (12) com todos os agentes políticos do estado, inclusive os inimigos locais Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB), autor do requerimento da CPI, Lula apelou para a necessidade de se mitigar o impacto na vida das pessoas e ver meios de se impedir que algo parecido volte a ocorrer. Pediu que se evite a politização do caso – o que é quase impossível.

Renan garantiu a Lula que o objetivo da CPI não é envolver o governo federal nas investigações do desastre. Seu único alvo, tem repetido, é a Braskem. Ele diz que, como relator, poderá controlar o foco das investigações. Mas o presidente não está completamente convencido disso.