A mudança de postura do presidente da Câmara, Hugo Motta, sobre o decreto do  Imposto sobre Operações Financeiras foi precedida por uma repreensão de lideranças do Centrão, como o senador Ciro Nogueira e o deputado Arthur Lira.

Segundo relatos feitos ao Bastidor por deputados, Motta ouviu dos colegas que ele parecia mais um integrante do governo do que presidente da Câmara. A conversa ocorreu após Motta chamar de “histórica” uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na noite de domingo (8), em que ficou acordado que o governo buscaria novas medidas compensatórias para não aumentar as alíquotas do IOF.

A alternativa encontrada pelo governo foi tributar LCI (Letra de Crédito Imobiliário), LCA (Letra de Crédito Agropecuário), além das bets e operações de risco sacado, usadas por empresas em operações de antecipação de recebíveis.

As medidas foram o estopim de uma crise que já se desenhava há meses. Não é nova a insatisfação do Centrão com Motta. As reclamações vêm do que deputados do grupo consideram leniência do presidente da Câmara com o atraso do governo no pagamento das emendas parlamentares.

Era Lira – e não o governo – quem anunciava o empenho e liberação dos recursos aos deputados. Com Motta, isso mudou. A insatisfação começou a colocar em risco os acordos que levaram o deputado à presidência da Câmara, como mostrou o Bastidor.

Após a conversa, Motta mudou o tom com o governo. Como uma biruta de aeroporto, mudou de direção com o vento e virou oposição instantaneamente. Disse que o “país não aguenta mais o aumento de impostos”, colocou em votação a urgência do projeto para derrubar o decreto do governo sobre o aumento do IOF. Após a aprovação, afirmou que era um recado à gestão do presidente Lula.