A coordenação de campanha de Jair Bolsonaro discute o que fazer no caso de o presidente não avançar sobre Lula nas pesquisas de intenção de voto depois das inserções eleitorais do PL na TV ao longo do mês de junho.

Há a percepção de que Bolsonaro está na armadilha de jogar eleitoralmente no campo em que seu adversários domina, o da economia. Ignorar os problemas de renda, emprego e inflação que afligem a população também favorece o adversário.

A avaliação é que Lula tem recall de seu governo e isso o favorece quando o debate é qualidade de vida da população. Há, ainda, a percepção de que culpar a pandemia, o “fique em casa” e a conjuntura internacional pelos problemas no Brasil é um recurso esgotado.

Algumas ideias estão na mesa de discussão, que envolve além do senador Flávio Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, responsável de fato pelo PP.

Uma das ideias é o governo adotar medidas no limite (“ou um pouco além”) da legalidade para reduzir numa canetada os preços dos alimentos, combustíveis e energia elétrica.

Os aliados acreditam que uma eventual judicialização do ato, por dúvidas de sua legalidade, pode ajudar Bolsonaro. Dará ao presidente a chance de culpar o o Supremo Tribunal Federal por impedi-lo de ajudar o povo. Culpar o STF é um argumento recorrente de Bolsonaro, que encontra eco em parte do eleitorado.

Um segundo argumento é que Bolsonaro poderá dizer que sua intervenção sobre contratos e preços regulados se deveu à necessidade da população. É quando ganharia popularidade, avaliam os aliados.

A ideia como um todo é vista como arriscada. Mexer em preços na base da canetada é um ato usado por governos nas décadas de 1980 e 90 e sempre terminou mal.

Outra possibilidade é tentar reeditar a eleição de 2018, quando não se jogou no campo econômico, mas no de comportamento. Trabalhar o medo da implementação de uma agenda progressista por Lula é visto como uma possibilidade para dominar a disputa eleitoral.

Segundo essa avaliação, é preciso deslocar a disputa do eixo econômico, como tema principal este ano, para o de comportamento, em que Bolsonaro leva vantagem.

Com base em pesquisas internas do PL e dos últimos levantamentos divulgados (ao contrário do discurso, os aliados de Bolsonaro acreditam em pesquisas eleitorais), a percepção é de que é preciso assumir o controle do debate eleitoral para inverter as posições com Lula.