Dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (02) não são animadores para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua maioria, o mundo da política não concorda com sua estratégia política e não demonstra disposição para ajuda-lo a executá-la neste momento.

Trata-se de uma pesquisa diferente, feita com 203 deputados federais. O resultado geral é ruim para o presidente Lula. Grosso modo, assim como entre a opinião pública, o governo é impopular no Congresso. Não tem chances de aprovar suas pautas e está indo na direção errada.

No caso de Bolsonaro, sua estratégia é manter-se como pré-candidato até o ano que vem. Ele se recusa a deixar a fila andar e apoiar desde já um candidato da direita. Ao mesmo tempo, busca aprovar um projeto para sua anistia no Congresso. Os deputados discordam disso tudo.

Sobre a anistia, 54% dos deputados são a favor de um projeto alternativo de anistia. “Alternativo”, no caso, é o projeto do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que reduz penas dos golpistas de 8 de janeiro, mas não beneficia Bolsonaro.

É maioria, mas uma maioria pequena e num formato que não interessa a Bolsonaro. 68% dos parlamentares de direita concordam com o projeto e 62% dos deputados de centro também.

Mas 59% dos deputados disseram duvidar que o presidente da Câmara, Hugo Motta, coloque o projeto de anistia em votação, contra 30% que acreditam nisso. Nem os apoiadores de Bolsonaro colocam muita fé nisso: 45% dos deputados da direita acham que Motta não colocará o projeto em votação, enquanto outros 45% acham que sim. A divisão mostra o tamanho do ceticismo em relação às chances da matéria, que nem atende aos interesses de Bolsonaro.

Os deputados reclamam que o Supremo Tribunal Federal invade as competências do Congresso. Mas, nem por isso, acreditam que o Congresso aprovará, no futuro, o impeachment de um ministro do Supremo. 65% dos deputados dizem que isso não vai acontecer. Quando se divide pela linha ideológica, percebe-se que 57% dos deputados de direita dizem que isso não vai acontecer. Reclamar do Supremo é uma coisa, puni-lo é outra.

Um dos principais objetivos de Bolsonaro é eleger uma grande bancada de senadores em 2026 para, a partir do ano seguinte, aprovar o impeachment de ministros do Supremo – Alexandre de Moraes em primeiro lugar.

Por fim, assim como a população, a maioria dos deputados acha que Bolsonaro deveria deixar de insistir que será candidato a presidente ano ano que vem – está inelegível até 2030 – e lançar um sucessor desde já. 51% dizem isso. No recorte ideológico, 50% dos parlamentares de direita defendem esta ideia, da qual Bolsonaro não quer ouvir falar.

Os parlamentares não acreditam que Bolsonaro será candidato: apenas 13% apostam nele, contra 49% que acreditam que será o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Entre os de direita, 53% apostam em Tarcísio.

Traduzidos para a prática, os números mostram que o mundo político acha que a estratégia de Bolsonaro é insustentável. Combina com as ruas. No domingo (29), Bolsonaro conseguiu reunir apenas 12 mil pessoas em uma manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, em sua defesa.